quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Neruda morreu de tristeza?


"Esperemos
Há outros dias que não têm chegado ainda,
que estão fazendo-se
como o pão ou as cadeiras ou o produto
das farmácias ou das oficinas
- há fábricas de dias que virão -
existem artesãos da alma que levantam e pesam e preparam
certos dias amargos ou preciosos
que de repente chegam à porta
para premiar-noscom uma laranja
ou assassinar-nos de imediato."

"Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um feito muito maior que o simples fato de respirar. Somente a ardente paciência fará com que conquistemos uma esplêndida felicidade."

Para manter na saliva o gosto de sangue e chama, regar a orquídea selvagem plantada em nosso peito,para provocar oscilações de alta freqüência em nossa alma fantasmagórica.Para ressucitar-nos de nossos falecimentos diários diante de um horizonte tão largo quanto opaco e fétido, medíocre. Para acreditarmos em opções coletivas ainda que pertencendo a esse mesquinho formigueiro, para entendermos a America Latina além das possibilidades limitadas do Mercosul, para que possamos nos fortalecer, mas não percamos a ternura.
Para lembrarmos que alguns países da América Latina traçaram uma história de combate, de coletividade, e alguns pensadores olharam por seus índios.
Para revivermos poesia: Pablo Neruda.
-Para historicizar : "Machuca"
-Para aplaudir: "Rock and Roll" Tom Stoppad
-Para pertencer : Novos Bahianos / Tom Zé
-Para esquecer : Digitalism / The Doors
-Para manter acesa a esperança : Marina Silva
Copiando e colando.
*Gilberto Gil participará do RIP que será exibido no Festival do Rio e levantará questões sobre a pirataria e as mídias sociais. Dele : "O compartilhamento é a alma da criação"*

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Os inocentes do leblon não sabem de você, nem vão querer saber.


Os inocentes do leblon


" Os inocentes do Leblon

não viram o navio entrar.

Trouxe bailarinas?

trouxe imigrantes?

trouxe um grama de rádio?

Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,

mas a areia é quente,

e há um óleo suave

que eles passam nas costas, e esquecem."

Carlos Drummond de Andrade
1940 / 2009 - Qualquer semelhança não é mera coincidência.
* Todos os dias nascem deuses alguns maiores e outros menores do que você.
Essa é a janela dos outros em ação *

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Prazeres dizeres

Preciso de noites mal dormidas para dar valor a noites que tenho tempo de descansar.
Aprecio amizades questionáveis para que sempre tentem me questionar.
Quero um pouco de ódio, distribuido em doses agressivas ; um pouco de mau humor para saborear os dias de euforia; um pouco de chuva para molhar a minha blusa, enlamaçar o meu sapato e mostrar de fato a mulher que se esconde por de trás de uma espessa maquiagem.
Quero correr muito, sempre que não houver necessidade. Gostaria de matar sempre alguém, mas apenas quando desse saudade.
Pagaria qualquer quantia, pela emoção de ver uma vez por dia o sorriso da minha filha.
Felicidade é poder amar sem economizar.
É poder saber e não esconder.
É sempre ter forças para lutar mesmo que saiba que vai perder.
Desejo vida longa para todos que não tem a alma podre.
Que não se vendem para uma religião e que não ficam como macacos, pulando de galho em galho a procura de alguma salvação, Os fracos se esquecem; que dentro de cada um existe um coração.
Ele pulsa com seu sangue e em união com seu cérebro, fazem a máquina do seu corpo ser o que é. Ser o que você tem competência para ser.
Se você chegou agora, de repente ainda não deu tempo para me conhecer. Tento ser de um todo, um todo de felicidade; em que nem nos seus piores dias eu não arranje uma meia dúzia de palavras bestas para te fazer sorrir.
Bruno Manes.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Orgãnicos 2010: Um olho no selo outro na imprensa!

A Monsanto (indústria dos alimentos trangênicos) acirrou a guerra do agro-negócio contra os alimentos orgânicos e organizações de pequenos agricultores. Semana passada a poderosa indústria com apoio irrestrito dos grandes empresários da agricultura, barrou a divulgação e distribuição da cartilha divulgada pelo Ministério da Saúde em defesa dos alimentos orgânicos, divulgando o novo selo de identificação e os benefícios desses alimentos para a sustentabilidade e diversidade.Mais uma vez a ditadura do oligopólio cala o direito a informação.Falando em ditadura e censura, o que me chamou atenção e incentivou a publicação e divulgação desta cartilha no nosso blog foi o fato de na mesma semana (29/07) o Jornal O Globo publicar em seu caderno de saúde a perniciosa reportagem "Alimentos orgânicos não são mais saudáveis, diz estudo".
A primeira vista é possivel identificar o caráter tendencioso da reportagem que trata de uma pesquisa (AI, AI...) feita pela Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres que comparou a quantidade de vitaminas e nutrientes entre os orgânicos e trangênicos e constatou que os níveis de superação dos orgânicos em relação aos trangênicos é pequeno e pouco relevante em termos de saúde pública.A pesquisa ressalta ainda que as vendas dos orgânicos vêm caindo em alguns países como a Grã-Bretanha, devido a dimnuição do poder de compra do consumidor devido a crise (obviamente a pesquisa sequer cita as artimanhas das grandes industrias para que o preço dos orgânicos não consiga reduções significativas e a falta de incentivo dos governos devido a políticagem). A matéria publicada no jornal admitia que a pesquisa não levou em consideração o caráter de potencial cancerígeno dos trangênicos nas sementes de DNA alteradas (por indústrias como a Monsanto) ou do fator cancerígeno na utilização de agrotóxicos na produção pelas grandes empresas agriculturas e ignorou o fator de sustentabilidade e diversidade para o meio-ambiente, porém na matéria publicada no site do jornal não há qualquer menção aos fatores ignorados pela pesquisa (QUE SÃO EXATAMENTE AS PRINCIPAIS BANDEIRAS DEFENDIDAS PELOS MILITANTES DOS ORGÂNICOS!)
Farsinha total do jornal publicar uma reportagem de pouca confiabilidade que desde o título denigre a imagem dos orgânicos e desestimula o consumidor NA MESMA SEMANA em que a Monsanto barrou a distribuição das cartilhas do Ministério da Saúde.Farsinha revelada, estamos mais espertos e ainda assim não libertos da ditadura e censura oligopolista neo-liberal que oprime as diversas faces da informação.Abram os olhos com as posturas da Gloobo e seu jornalzinho falcatrua ano que vem, ano em que espera-se que a indústria dos trangênicos leve uma rasteira com a instituição do selo de identificação dos orgânicos de produção familiar. E aí cabe a nós consumidores bater o martelo desta história.
INFORMAR É PRECISO!
Segue link da reportagem farsante: http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2009/07/29/alimentos-organicos-nao-sao-mais-saudaveis-diz-estudo-757020309.asp
E agora o principal! AJUDEM-NOS A DIVULGAR A CARTILHA NA CONTRAMÃO DAS INTENÇÕES DA INDÚSTRIA E DO AGRONEGÓCIO, PROVANDO QUE A RESISTÊNCIA E A TROCA DE INFORMAÇÕES OMITIDAS É POSSÍVEL!
A cartilha foi ilustrada pelo Cartunista Ziraldo e podemos encontrá-la no site: http://www.aba-agroecologia.org.br/aba2/images/pdf/cartilha_ziraldo.pdf .
Vamos fazer nossa parte e distribuir pela internet o maior número possível da mesma.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Por falar em poesia - Poema da foda

"Neste Brasil imenso
Quando chega o verão,
Não há um ser humano
Que não fique com tesão.
É uma terra danada,
Um paraíso perdido.
Onde todo mundo fode,
Onde todo mundo é fodido.
Fodem moscas e mosquitos,
Fodem aranha e escorpião,
Fodem pulgas e carrapatos,
Fodem empregadas com patrão..
Os brancos fodem os negros
Com grande consentimento,
Os noivos fodem as noivas
Muito antes do casamento.
General fode Tenente,
Coronel fode Capitão..
E o presidente da República
Vive fodendo a nação.
Os freis fodem as freiras,
O padre fode o sacristão,
Até na igreja de crente
O pastor fode o irmão...
Todos fodem neste mundo
Num capricho derradeiro.
E o danado do Dentista
Fode a mulher do Padeiro.
Lula depois de eleito se tornou um fudedor
Fode a Marisa, o PT e até o trabalhador,
O senador fode o deputado
Que fode o eleitor.
Parece que a natureza
Vem a todos nos dizer,
Que vivemos neste mundo
Somente para foder.
E você, meu nobre amigo
Que agora está a se entreter,
Se não gostou da poesia
Levante e vá se foder!!!"
Autor desconhecido

*Por Paulinha*

SP, mesmo cinzenta também é Brasil.A massa comprovou de perto, que é uma cidade de foder!Por trás das largas avenidas e da solidão cinzenta dos automóveis o espectro de cores brasileiras matizam o cenário da juventude transviada, travestida em um Brasil desconexo à sua realidade a sua identidade de natureza e a miséria de falta de ordem e autoridade. SP travestida de cidade de primeiro mundo, a periferia grita sua mixagem nesse cenário inventado na cidade com mais de 19 milhões de habitantes solitários, abraçados e fodidos pelo tesão da megalópole.Cidade nem lá nem cá. E essa falta de equilíbrio é simplesmente deliciosa.De foder!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A poesia não morreu.

A poesia não morreu, ela é pulsante em nossos abraços ainda que curtos e gélidos, ela vive em nossos beijos, nosso choro e no que restou de nossa solidariedade.
A poesia é velada em cada recordação dos curtos momentos que tivemos em contato com a nossa essência, com as outras dimensões do cosmo, com o livro dos mortos.
A poesia vive ainda na chama que mantemos acesa de nossos cafonas ídolos pré-datados, do soul, blues e vinil.
O Rock é um patrimônio fatalista, que seus amantes e suas gerações de ouro, não se esforçam por mantê-lo vivo.
A hegemonia da arrogância e vaidade, conduziu o Rock a nostalgia cadavérica, aquela velha história de “tudo o que é genuinamente bom e reflexivo, não se produz mais, ahhh aqueles bons tempos do rock...Não voltam mais.”. Os amantes do Rock, foram conduzidos feito marionete pelas artimanhas do sistema, difusor das mídias pop instantâneas, assim como a nossa política.
Desde a luta pela difusão da Social Democracia e os movimentos de guerrilha como Castrismo e Guevarismo, últimos suspiros da geração revolucionária, o Movimento Estudantil e a militância, atenderam aos objetivos maniqueístas do neo-liberalismo ascendente.
A consciência ativa e revolucionária foi dissipada pelas artimanhas da economia capitalista. No processo de condução do pensamento de luta ao fatalismo histórico, palavras como revolução, socialismo x liberalismo, foram obscurecidas como ideologias arcaicas e inúteis. O cenário fétido e artificial em que está enraizada a nossa democracia, contribui para dispersar nesse mar de tecnologia e informação, a formação das celebridades instantâneas, empoeirando nossos livros, discos, ídolos, nosso blues e nossa música experimental.
Em meio aos ventos da democracia neo-liberal, podemos sentir uma brisa sutil mobilizando nossa esperança estagnada, fedida a naftalina.A iluminação vem acompanhada de trilha sonora e propagandas megalomaníacas, exaltando com criatividade a liberdade perniciosa da –falta de –representatividade, pacotões de salvamento financeiro e social, inclusão e acesso a democratização, financiados com dinheiro do governo (meu, teu, nosso) criando a falsa ilusão de mudança de caráter do sistema. O que esquecemos com freqüência é que o capitalismo sempre se apoiou na intervenção estatal para recuperar-se de crises (historicamente cíclicas enquanto vingar o sistema) e que na lógica contemporânea, tapar buracos deixados pela exclusão social e especulação financeira crônicas do sistema com dinheiro público é legal.Idem sustentar a mamata dos órgãos públicos.
Após um breve e superficial panorama, com o intuito de interligar : fatalismo político ao fatalismo ideológico (e óbvio, tendencial, musical, artístico, poético) podemos voltar ao Rock and Roll.
Talvez sejam precisos diversos artigos a fim de tornar esses apontamentos de uma pseudo-ouvinte, pseudo-antenada, pseudo-manipulada, um pouco mais claros, pois afinal quando a inspiração vem a tona, não sei bem mais quem eu sou.
Ora, se a superficialidade não fosse, gostosa e a alienação não fosse viciante, a estagnação não vingaria e lá estaríamos nós construindo jornais subversivos e incorporando organicamente o movimento estudantil, ouvindo Jim Connel, Luis Cilia, Martin Whelan, Silvio Rodriguez, Carlos Puebla, ou melhor, os marxistas e as tribos underground, permitiriam abrir-se a novos ídolos.
Acredito que uma pitada de superficialidade e artificialidade, dá um gás de antinomia necessário a intelectualidade. Prefiro um papo leve, conversas profundas e sem máscaras, sobre sentimentos sim, e não apenas ideologia e política, prefiro madrugadas entorpecidas e dançantes, que apodrecer solitária em meu gabinete de vaidade política e militante. Que uma certa superficialidade sustente a falta de hipocrisia e máscaras sociais, a fim de que prevaleça a verdade do que somos, humanos em decomposição, que venha dosada, antropológica, verdadeira, brilhante e intensa, para que cegue o olhar julgador dos pseudo-cult, pseudo-marxistas, rastafari, dread lock, alternativos, letrista, literatas ou pseudo-intelectuais. Não sou hipócrita a ponto de ignorar minha artificialidade que produz a contradição necessária para ser quem eu sou, a loucura, luxúria e intelectualidade suicida e hiper-link que marcam a minha geração.
Acredito na economia moral de Thompson, acredito na virada conservadora que tornou a academia direitista e artificial, acredito na consciência revolucionária.Não acredito que 200 anos de pensamento iluminista e o brilhantismo do pensamento marxista possa ser reduzido a mecanicismo, linear positivista.
Porém não por isso, sustento visões românticas e arcaicas das hierarquias sociais e confesso, sou igual a você. Não acredito na militância esquerdista brasileira, na política tampouco.Ora! Sarney é presidente do Senado, Collor (nosso populista em ação! O proto-fascismo não morreu!) é senador e os Srs. Maluff e Edmar Moreira, obviamente como todo mundo na nossa política-mãe serão absolvidos. Cabe lembar que essa “justiça-mãe” para políticos e endinheirados é uma questão internacional! Brasileiros, nos privemos da mea-culpa, até Idi Ammim Dada Cumee foi absolvido pela história, com 100 mil mortes de legado em seu governo e alguns cadáveres na geladeira, tudo em nome da “paz internacional” que vivemos! As guerras têm te atingido? Nem a mim! Então: Vivemos em paz!
Do que reclamamos? Ainda temos o tráfico para nos anestesiar, eu compro o meu bagulho e na seqüência perco meu carro e um filho desfigurado por um tiro de fusil, compro minha pastilha de extasy e danço a noite toda como se a minha mentalidade bilontra, pudesse recuperar a solidariedade social extinta, e para os marginais: a cracolândia a menos de 1km da prefeitura de Sp. É a anestesia narcótica cristalizada e instituída, e inchando os cofres públicos de propina. Quer melhor opção?
José Murilo de Carvalho ao publicar seu clássico “Bestializados ou Bilontras” atingiu um grau de contemporaneidade incomparável. As atitudes das massas, principalmente de escravos libertos diante da transição Monarquia-república, era encarada como bestializada, mas a micro-história e suas especificidades, comprova que a melhor palavra seria Bilontra.Conformados que a estrutura excludente seria perpetuada e as “mudanças” eram mais uma forma das novas elites em ascendência impor uma ruptura inexistente com o antigo sistema rumo a “modernidade”, as massas seguem conformadas, mas nunca alienadas ou de olhos vendados a lama e sujeira que escoa das lacunas hipócritas e frágeis da política.Economia moral em ação.
Esse era o ponto que eu queria chegar. Herdeiros do tráfico, da decadência das gravadoras desnudas diante da pirataria, nossa geração hiper-link, é facilmente apontada como artificial, estagnada, culpada por todas as maledicências do caos de identidade, representatividade, violência crônica e estagnação que se instalou. Observadores desatentos, apontam nossa culpa na pirataria e na morte do blues, vitrolas, jazz, bossa, rock e afins e não percebem que a música continua, assim como a poesia.Ela está viva, transfigurada, ativa e circulante.
Nossos avôs da mpb catores-compositores-sofistas-dramaturgos-poetas, e do velho Rock-and-Roll, provavelmente não percebem ao nos intitular como “geração pirata” que a nossa intelectualidade, ideologia e refinamento musical estão ativos e fluindo. A música e a política flui em nossos I-pod, conversas vagabundas no Teles, nos becos, nas favelas, no Proibidão e no baile funk, nos sambas e Universidade, batalhamos pela nossa música ainda que pirateada e ilegal. Procuramos obsessivamente por nossos ídolos na rede e sim disponibilizamos e democratizamos esse acesso, solidariedade social furando os bloqueios do capitalismo.
Promovemos os nossos debates boêmios e vagabundos, difundimos nossas idéias conformistas e suicidas, mas com um tempero “bilontra” e claro revolucionário. A consciência política universitária existe, ainda que nossa Universidade seja vendida e a pesquisa acadêmica se concentre nas Universidades públicas, idem ao movimento (??) estudantil (PSTU??) - se a sua faculdade ainda é pública e você está vivo, não foi estuprado ou assaltado ou um pedaço do teto ainda não caiu sobre a sua cabeça, não cante glórias, em poucos anos ela será privatizada também - ainda que seja propagandeada a ilusão do governo com a democratização do acesso as universidades públicas promovendo o “escolão”. Nós a geração do “escolão” nos diferenciaremos pela nossa curiosidade suicida, que nos conduzirá para o além despido de hipocrisia e um abismo incerto de mágoas, intelectualidade vagabunda e revolta.
Enfim, ao contrário do que você imaginava e desejava para sustentar a vaidade de sua geração de ouro, a música flui e a poesia também. E não limitamos a quase extinta arte e poesia através de julgamentos intelectualóides, deixamos fluir, sem muito julgamento ensaiando o que seria a democracia verdadeira.Nem por isso não atentamos para a fragilidade das celebridades instantâneas e da música de mecânica e construída por empresários capitalistas.
Somos a geração da música eletrônica, a geração da informação inútil, das celebridades instantâneas, dos reality shows, do mensalão, do descrédito na Petrobrás e no Nacional Desenvolvimento com o meu e o seu dinheiro do “escolão” (Pro-uni) que irá conduzir a escola e faculdade pública e particular pro mesmo buraco negro do bolso do empresariado, capitalizando o ensino.
Somos a geração da música eletrônica e assim como o seu tio e seu vizinho, financiamos o tráfico, somos piratas da música e da mídia, sustentamos o capitalismo e a Era dos Impérios, o luxo e a superficialidade.
Somos a geração da música eletrônica e aprendemos com os amantes do Rock a falar mal de nossas festas e a achar que poderíamos ter produzido de melhor em termos de experiências solidárias, lisergia, e experiência musical, está restrito as primeiras festas dos anos 90 e que o Disco e o Funk Melody representam bem nosso olhar fatalista e mesquinho, de que aquilo sim eram noites dançantes, anos 80, noites pretas com branco.
Aprendemos a falar mal de nossos festivais e oprimir experiências transcendentais das novas gerações e bradar por todos os cantos que a fragmentação e seleção de um grupo esperto e dirigente é condizente com a realidade seletiva e limitada que vivemos, afinal hoje em dia só se constrói porcaria.
Mas na nossa individualidade, no nosso I-pod, em nossos “clubinhos” aristocratas, nos permitimos escutar música boa, novas e velhas produções, grooves surpreendentes, sintetizadores instrumentais de alto nível. Sim! Música eletrônica experimental e orgânica, acid-jazz, tribal e outras psicodelias inteligentes, criativas e inspiradoras. Quando retornamos a alguma festa ou festival, deixamos por alguns momentos o julgamento de lado e cochichamos uns aos outros que ainda se ouve coisa boa por aí. Em algum momento dançamos desconectados, se não apenas pelos Chacras e livres, verdadeiramente puros, inspirando movimento e sombra, potencializando e catalisando as lindas afirmações do Calendário da paz, sendo criança e índio, percebendo as divindades no olhar dos amigos, inimigos, estrangeiros e vagabundos, na chuva, nas ocas e na terra. Lembramos em comunhão do livro dos mortos que as lágrimas serão o conforto da experiência cósmica que ainda experimentamos.
Nas nossas festas ainda dançamos por horas sem dizer uma única palavra, mas guardamos cada bit sonoro e atentamos a cada sintetização e a cada virada, e a música se renova a cada minuto nas nossas mentes, pela nossa dança e pela nossa palavra. Diante do barulho construo poesia suicida e assim como Jim, penso na hora da magia, do silencio e barulho, da dança de candomblé, em matar, em política e em foder, penso e sorrio, pois sei que meus amigos estão ouvindo, com o coração e percebendo os saltos da minha imaginação, exercendo a criatividade telepática que a sociedade urbana julga extinta.
Pertencemos a geração da música eletrônica, ouvimos boa música, lemos bons livros, vejo excelentes filmes (“Ôrí está no cinema, não apenas novelinhas da Globo em formatos de longa) assistimos a boas peças de teatro, apesar de você julgar-nos pela nossa artificialidade aparente, e pela nossa forma “bilontra” de dançar por horas a fio sem dizer uma única palavra. Somos curiosos e piratas, atentos não apenas aos nossos discos empoeirados e ídolos pré-datados, mas ao que há de novo, o que sobrevive de bom em nossas festas e nossa música, ao que pode ser filtrado pela nossa pirataria investigativa, o que pode ser construído ainda sob o cenário de nossas festas e festivais, o que vem do morro e da favela, o que vem de fora do país.
Pertenço a geração que constrói a filosofia telepática e individual e difunde por meio da dança e expressão do movimento e da alma, com a certeza que a revolução que queremos começa internamente e é difundida pacificamente pela solidariedade e relacionamento.
Por mais que os olhos se fechem para estes fatos, não podem encobrir que as festas universitárias de música eletrônica são o principal cenário da subversão no Irã e meio de estratégia e mobilização do movimento estudantil em oposição a Ahmadinejad .
Apesar deste desorganizado manifesto, você continuará nos vendo como fantoches artificiais, como geração derrotada pelo extasy e bate-estaca, pela Rave-trio-elétrico. Mas continuaremos do nosso modo “bilontra”, com a nossa política vagabunda e boêmia, dançante, pensante, ativa de dentro pra fora, construindo nossa realidade e futuro pela individualidade telepática.Seguiremos expurgando nossos demônios pela vibração da terra e do movimento inspirado pelo outro em nossos círculos de interação, assim como os hindus e os índios, enquanto você tira a poeira e bota novamente aquele Rock du bom, Blues ou a bossa na vitrola e exalta a nostalgia da geração de ouro, velando de vez os nossos ídolos que deveriam estar ativos, inspirando a sobrevivência da boa música.

quarta-feira, 10 de junho de 2009


Os macaquinhos, conhecidos como "Três Macacos Sábios", ilustram a porta do estábulo sagrado, um templo do século 17 localizado na cidade de Nikko, no Japão. Sua origem é baseada em um trocadilho japonês. Seus nomes são "Mizaru"(o que cobre os olhos), "Kikazaru" (o que tapa os ouvidos) e "Iwazaru" (o que tapa a boca), que na língua é traduzido como "não ouça o mal, não fale o mal e não veja o mal". A palavra "saru", em japonês, significa "macaco" e tem o mesmo som da terminação verbal "zaru".
Aproveitando então o trocadilho, não poderia deixar de fazer correlação com a política. Acredito que os governantes, os poderosos, e até mesmo nós, meros cidadãos, precisamos aprender um pouquinho mais com os 3 macacos sábios.


Observem e (Pasmem):

Alguém perguntou ao Sr. Bush (na época dos atentados) porque a familia Bin Laden saiu dos EUA sem maiores problemas?! Não houve extenso interrogatório e nem ao menos foram detidos no país até que muitas coisas fossem esclarecidas, o governo Bush apenas respondeu que segurá-los nos EUA seria considerado sequestro.

Vamos aos fatos:

Em 1977, Mr. Bush (pai) argumentou com Mr. Bush (filho) que já era tempo de arranjar um emprego de verdade, ele montou e colocou a seu dispor aquela que seria sua 1a. companhia de petróleo - chamada Arbusto (a tradução em português da palavra inglesa "bush"). Um ano depois, o Sr. Bush filho recebia financiamentos de um homem chamado James A. Bath. Era um velho amigo dos tempos em que serviu na Guarda Aérea Nacional do Texas. Ele, James, fora contratado por Salem Bin Laden - irmão de Osama - para aplicar o dinheiro dos Bin Laden em várias empresas texanas. Algo como U$ 50 mil - ou 5% do controle da Arbusto - chegaram à empresa via sr. Bath.

A maioria de nós com certeza não sabia disso, e supreendo-me ainda mais ao saber que o sr. Bush filho e pai conhecem os Bin Laden há muito tempo.

Salem Bin Laden foi ao Texas pela 1a. vez em 1973. Mais tarde comprou umas terras, construiu uma casa para morar e criou a Bin Laden Aviation.
Os Bin Laden são uma das famílias mais ricas da Arábia Saudita. Sua gigantesca empresa construtora praticamente construiu o país, das estradas às estações de energia, aos arranha-céus e aos edifícios públicos. Eles construiram ainda uma das pistas de pouso que o sr. Bush pai usou na Guerra do Golfo, e nada mais nada menos que a pista particular dos Bush.

Muitas vezes bilionários, começaram a investir em outras iniciativas ao redor do mundo, incluindo os EUA. Eles mantém estreito relacionamento comercial com conglomerados americanos - Citigroup, General Eletric, Merryl Lynch, Goldman Sachs e Fremont Group, esta uma subsidiária do gigante de energia Becthel. De acordo com a The New Yorker, a família Bin Laden também possui uma parte da Microsoft e da gigante das linhas aéreas e da defesa, Boeing. Eles doaram U$ 2 milhões para a sua alma mater, a Harvard University, outros U$$ 300 mil para a Tufts University, e dezenas de milhares mais para o Conselho Estratégico do Oriente Médio, um conselho de notáveis presidido pelo antigo embaixador americano na Arábia Saudita, Charles Freeman. Além da propriedade que possuem no Texas, eles têm imóveis na Flórida e Massachussets.

Infelizmente, Salem Bin Laden morreu em uma acidente de avião no Texas em 1988 (o pai dele, Mohamed, também morreu em um acidente de avião em 1967 - coincidências à parte - lá vem o 11 de setembro). Os irmãos de Salem - há cerca de 50 deles, incluindo Osama - continuaram a tocar as empresas e investimentos da família.

Depois de deixar a presidência, Bush pai tornou-se consultor muitíssimo bem pago de uma empresa conhecida como Carlyle Group. Um dos investidores da Carlyle Group era ninguém menos que a família Bin Laden. Os Bin Laden tinham pelo menos U$ 2 milhões nesse grupo.

Até 1994 o sr. Bush filho chefiou uma companhia chamada Cater Air, que era propriedade da Carlyle Group. No mesmo ano, o sr. Bush filho deixou a Cater Air em situação pré-bancarrota, tornou-se governador e rapidamento viu-se a Texas University - uma instituição estadual - fazer um investimento de U$ 10 milhões no Carlyle Group. Coincidentemente a familia Bin Laden subiu no trem da alegria do Carlyle em 1994.

O Carlyle Group é um dos maiores empreendedores do setor de defesa dos EUA, entre vários outros ramos de trabalho. Eles não chegam a fabricar armas, eles compram fábricas de armas em má situação financeira, transformam em empresas lucrativas, e as vendem por enormes quantidades de dinheiro.

As pessoas que comandam a Carlyle Group compõem um quem é quem de ex-poderosos na administração pública, entre vários poderosos americanos até ao ex-primeiro ministro britânico John Major. Olha aí o poder centralizado!

O chefão da Carlyle Group, Franl Carlucci, é também membro do board de diretores do Conselho de Políticas para o Oriente Médio, juntamente com um representante dos negócios da familia Bin Laden.

Depois do 11 de setembro, vários jornais publicaram essa estranha coincidência. O sr. Bush pai e seus amigos no Carlyle Group não renunciaram aos investimentos dos Bin Laden. O exército de gênios de Bush filho entrou então em ação e tratou de dar uma enrolada. Disseram que não poderiam pintar esses Bin Laden com os mesmos pincéis que usamos para pintar Osama. E então apareceu um tanto daqueles "bons" Bin Laden - incluindo a mãe de Osama, uma irmã e dois irmãos - com Osama no casamento do filho, apenas 6 meses e meio antes do atentado.

A família Bin Laden não só cortou seus laços com Osama como continuou a financia-lo, da mesma forma como sempre fez por anos a fio. Osama Bin Laden tem acesso à fortuna de sua família, sua parte estimada em U$$ 30 milhões no mínimo, e os Bin Laden, bem como outros sauditas, mantiveram Osama e seu grupo Al Qaeda bem financiados.

Somente 2 meses depois dos ataques, a familia Bush resolveu parar de compartilhar a cama com os Bin Laden, a Carlyle Group foi pressionada a devolver seus milhões aos Bin Laden e a pedir que estes deixassem a companhia como investidores.

Para piorar as coisas, descobriu-se ainda que um dos irmãos de Bin Laden - Shafiq - esteve ele mesmo, de fato, presente numa convenção de negócios do Carlyle Group em Washignton na manhã de 11 de setembro. No dia anterior, na mesma convenção, o sr. Bush pai e Shafiq estiveram conversando animadamente com todos os bacanas - e ex-homens de governo do - Carlyle Group.

Continua...

Ciça Antunes